Sem talento até para confessar


Invejo o talento daqueles que conseguem se expressar pela arte

Invejo tanto porque queria ser poeta

Invejo a música e a letra

Invejo a metáforas e metonímias

 

Mas sinto muito

Os desafinados também tem um coração

Dentro do sentir, admiro e tenho simpatias

Não aprendi nem em casa nem na escola

 

Faço estrofes de 4 versos

Sem rimas porque dão trabalho

Dão trabalho para nós desafinados

E as vezes escrevo nada para completar

 

Tenho boas sacadas

Boas respostas

Boas frases

E até boas intenções

 

Encontrar alguém

Diferente dos alguéns

Sentir de novo

Algo novo

 

Perceber a densidade do ar

Inebriar com álcool e amor

Lembrar dos cheiros

Dos primeiros momentos

 

Aprendi a não ser só

Um é sempre pouco

Dois é bom

Três pode ser muito demais

 

Domingos e nossas moedas cósmicas

Somos equilibristas da corda bamba

Anseio por novas moedas

Trabalho enquanto anseio

 

A vida é fibra ótica

Mas são os momentos de fax-modem

Que fazem mais sentido

Que fazem valer a pena

 

Refresh the life

Crtl+Alt+Del

Refresh the life

Crtl+Alt+Del

 

Alguma coisa nos espera para além da tela azul

Eu vejo uma nova linguagem

Novas redes, novas desafios

Saudade dos mensageiros enferrujados

 

Difícil querer dar sentido as frases soltas que penso

A cabeça vazia é o maior de todos os ópios

Redentor, Coca-cola, exaustor

Nada faz sentido

 

Parte de mim acredita

Parte não

Banco as opções

Só preciso ser ouvido

 

“Sem talento até pra confessar” por Gutemberg Motta é licenciado sob Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

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