​Novo Maracanã, novo Flamengo


Ontem, o time do Flamengo teve uma partida decisiva pela Copa Libertadores. O técnico Jayme escalou um time conforme suas convicções e suas possibilidades, era um time jovem. A vitória era o único resultado que classificava o Flamengo, 90 minutos separavam o Flamengo das oitavas de final da competição.

Quando o jogo começou o que se viu em campo foi um time apático, sem brio, com medo. Totalmente compreensível em várias circunstâncias, inclusive esta.  O time adversário, o campeão mexicano, o León entrou com cede de vitória.

O que ninguém tinha percebido é que o Flamengo entrou com o desfalque de seu maior jogador, seu 12º jogador, a sua torcida. Apesar dos ingressos terem se “esgotado”, dos 53 mil presentes, a maioria não era torcedor, eram expectadores que formavam uma imensa plateia.

Ontem pude ver a decisiva elitização do Maracanã, mais apático que o time do Flamengo, foi a “torcida” do Flamengo. Entrei na arquibancada com 5 minutos de bola rolando, existia um clima tenso no ar, corri para ver o que estava acontecendo, não entendia aquela sensação, a “torcida” toda calada, não existia som de bumbo, nem de corneta, nem de apito…

Enquanto o jogo se desenrolava, a “torcida” tentava puxar alguns cânticos rubro-negros sem sucesso. Em campo, o León fez dois gols e o Flamengo, inexplicavelmente, também. No segundo tempo, a “torcida” conseguiu cantar o hino do Flamengo umas duas vezes, muito pouco para injetar animo naquele time apagado do Flamengo.

A “torcida” e o time do Flamengo estavam entrosados, um mais murchinho que o outro, pareciam dois doentes terminais de mãos dadas, até que o time do León resolveu a parada num gol que foi possível perceber a diferença de pegada dos times, jogadores do Flamengo plantados e os do León correndo. Um gol que selou o destino do Flamengo na Libertadores 2014.

As torcidas organizadas que foram responsáveis por muitas vitórias, estão deixando o Flamengo órfão. Não que tenha sido planejado ou por vontade própria, mas por simples necessidade do mercado, afinal um espetáculo tão caro e grandioso precisa de um ingresso que o sustente.

Ou a nova plateia de teatro aprende a torcer pelo Flamengo, ou o Flamengo se tornará apenas mais um time como tantos outros, e aí, poderemos decretar o falecimento do Sobrenatural de Almeida Rubro-Negro e junto dele, daquilo que denominamos por Nação Rubro-Negra.

Originalmente publicado no Facebook em 10/04/2014.

“​Novo Maracanã, novo Flamengo” por Gutemberg Motta é licenciado sob Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

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